Preste atenção a este dado: a cada hora a quantidade de fótons provenientes do sol que atinge a Terra seria capaz de gerar energia, teoricamente, para satisfazer a exigência do planeta todo por um ano. Fótons são partículas carregadas de energia emitidas pelo sol.

Você já imaginou se aproveitássemos mais essa energia inesgotável e sem custo? Boa parte dos sérios problemas ambientais gerados pela produção de energia estaria resolvida, dentre tantos outros benefícios, não é mesmo?

Não mais seriam necessárias, por exemplo, fontes de energia esgotáveis, não sustentáveis e terrivelmente poluidoras, como as usinas termoelétricas, movidas a carvão e óleo diesel, e as atômicas, com seu risco de acidentes catastróficos e descarte complexo do lixo.

Mais: não mais haveria a necessidade de desmatamento ou alagamento no local de geração, como no caso das usinas hidroelétricas.

Felizmente a humanidade se mobiliza cada vez mais para aproveitar essa fonte de energia sem limites, inócua, sem deixar resíduos, não comprometedora da sobrevivência da espécie humana – e a maioria das demais – como as mencionadas.

Entenda seu funcionamento

Uma forma de aproveitar a energia que o sol emana é a sua transformação em energia fotovoltaica. Em linhas bem gerais, placas solares são instaladas para a melhor exposição à radiação solar. Os fótons se chocam com os elétrons das placas, transferem parte da sua energia, fazendo-os moverem-se, gerando corrente elétrica contínua.

A seguir, um conversor as transforma em corrente alternada, a usada nas casas e indústrias. Tudo é conectado à rede local de fornecimento regular de energia elétrica.

Quando a geração é maior que o consumo, o sistema joga o excesso na rede elétrica, que fica como crédito para quem a produziu. Já nas ocasiões em que o consumo é maior que a geração, a rede elétrica local supre a necessidade, descontando no boleto da conta aquela energia não usada e disponibilizada para a rede.

Pronto, você já tem uma macrovisão do que seja a energia fotovoltaica.

Pois saiba que o interesse por essa tecnologia cresce significativamente a cada ano no mundo todo, até mesmo em nações onde o petróleo e o gás natural são abundantes. É grande a pressão mundial para todos os países se engajarem na verdadeira cruzada da redução na emissão de gases de efeito estufa e garantir a preservação da vida no planeta.

A energia fotovoltaica pode ser utilizada por todos, de uma pequena residência a uma indústria.  

O engenheiro Bruno Bevacqua, da Novac, é um experiente profissional, tem no currículo muitas obras. “Nós percebemos que nos projetos residenciais existe um interesse crescente pela tecnologia fotovoltaica”, diz.

“Recentemente, preparamos até mesmo uma planta industrial para recebê-la, mas nesse nível, industrial, eles preferem recorrer ao mercado livre de energia elétrica”.

Há uma mudança já programada, para o ano que vem, que vai alterar a relação que hoje existe entre quem gera a energia fotovoltaica e a rede elétrica local. “Entrará em vigor o novo Marco Legal da Geração Distribuída de Energia”, explica Bevacqua.

A nova legislação irá reduzir o valor que pode ser descontado por enviar para a rede elétrica local o excesso de energia gerado. Hoje pode ser de até 100%. “A partir de janeiro de 2023 entra em vigor um sistema escalonado de abatimento de energia solar entregue à rede de distribuição”, diz Bevaqua. “Portanto o melhor ano para sua implantação é este.”

Falta informação e o custo ainda é um pouco alto

Apesar de todas as vantagens mencionadas e do aumento do interesse pelo uso, a energia fotovoltaica ainda sofre com a desinformação do usuário e o custo de implantação. A informação é do engenheiro elétrico Alex de los Santos.

“Com o avanço da tecnologia e o aumento da escala de produção, ou seja, mais obras adotarem como fonte de energia a fotovoltaica, os preços tendem a cair. Na realidade é um processo já em curso”, explica. “A expectativa é de o investimento retornar ao investidor no prazo de 3 a 5 anos.”

Bem a grosso modo, pois existem muitas variáveis no cálculo do valor do projeto, o custo para uma casa de tamanho médio varia de R$ 25 mil a R$ 30 mil, para se ter uma leve ideia do custo.

Atualmente o Brasil já conta com mais de 144 mil sistemas fotovoltaicos espalhados pelo país e atendendo os mais diversos tipos e tamanhos de unidades consumidoras. É uma nação privilegiada para o uso dessa tecnologia, pois 92% do seu território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados encontra-se na zona tropical, onde a insolação é máxima no planeta.

A Alemanha é quem mais recorre à energia fotovoltaica para as suas necessidades de eletricidade, contribuindo com 6% do total.

Mercado brasileiro em expansão

Existe no Brasil, desde 2013, a Associação Brasileira de Energia Fotovoltaica (ABSOLAR), presidida por Ronaldo Koloszuk. “O mercado brasileiro passa por um crescimento acelerado, repleto de oportunidades e desafios. Os novos investimentos privados no setor deverão ultrapassar a cifra de R$ 50,8 bilhões no ano.”

O engenheiro elétrico Santos diz, ainda, que é comum as pessoas confundirem a energia fotovoltaica com a energia solar térmica, destinada a aquecer água de residências, clubes ou mesmo indústrias, e já amplamente difundida no Brasil há décadas.  “Ambas usam placas solares, mas com objetivos distintos. Uma para produzir corrente elétrica e a outra, esquentar a água.”

A fotovoltaica é mais complexa, abrangente e de maior impacto na preservação ambiental, por se tratar da geração de energia elétrica, capaz de suprimir as necessidades de eletricidade de todos os equipamentos de uma residência ou planta industrial, além de, com mencionado, propiciar à rede de distribuição regular o excedente da energia gerada.

A solar fotovoltaica já é a terceira fonte de energia renovável mais importante em todo o mundo em termos de capacidade instalada. Mais de 100 países já a utilizam. Perde para a hidráulica e a eólica mas, como mencionado, o elevado investimento em tecnologia para tornar seu uso mais frequente, por conta das imensas vantagens, tende a fazer dela a líder do segmento.

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